18 de fev de 2011

Não vivo sem Ele

“Deus nos criou: inventou-nos como um homem inventa uma máquina. Um carro que tenha sido feito para ser movido a gasolina não funciona direito com outro tipo de combustível. E Deus projetou a máquina humana para funcionar à base dele mesmo. Ele é o combustível do qual nossos espíritos devem se alimentar. Não há nenhum outro. Eis por que não é bom pedir a Deus que nos faça felizes do nosso próprio jeito, sem nos preocuparmos com a religião. Deus não pode nos dar felicidade e paz fora de si mesmo simplesmente porque não existem desse modo. Não há nada parecido com isso.”

C.S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples

“Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

Santo Agostinho, Confissões
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Para lembrar sempre.

11 de fev de 2011

Alguém dá conta por mim



Voltei!

A semana de férias foi curta e já estou de volta há um tempo. Escrevi o texto que segue abaixo durante a mesma, e pretendia publicar aqui assim que retornasse. Mas as “coisas que me aguardavam” não me permitiram.

Tudo bem. Essa demora acabou encontrando um significado: após vários dias experimentando uma tensão muscular na região cervical, essa semana uma crise de ansiedade veio finalmente me fazer entender o que estava desencadeando todos os outros sintomas.

Se no início do ano eu pensei sobre o assunto (como verá no texto) e acabei deixando para lá no turbilhão de coisas, a vida quis me assegurar de uma maneira bem peculiar: “Gabi, você não é a mulher-maravilha”.

Valeu, eu entendi. Vou tirar a mão do volante e desacelerar.

E para você que acha que está tudo bem, desacelere também, #ficadica.

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Fim de férias. Começo a pensar na lista de coisas que me aguardam assim que colocar os pés em Niterói. E um sentimento parecido com “desespero” bate no coração.

Reconheço: é o meu perfeccionismo e a ilusão de que as coisas podem ser perfeitas aqui que estão me atacando novamente (eu já devia ter aprendido, mas eu chego lá).

Faço a lista, movida por uma sede de “coisas plenas” (meu coração sente muito isso): não “dou conta” de ser filha, de ser irmã, de ser amiga, de ser profissional. Não “dou conta” de nenhum de meus papéis no mundo. Aliás, nem “dou conta” da minha relação com o Pai.

Queria abraçar mais, entender mais, corresponder mais. Queria resolver coisas que estão além do meu alcance...ah se eu pudesse. Queria desatar nós. Queria ouvir e me conter, queria falar menos, mas também falar o que é precioso. Queria que meus olhos expressassem mais o que realmente me importa e expressassem menos minhas contrariedades. Queria falar o necessário (e difícil muitas vezes) sem magoar. Queria amar a despeito das decepções que nos causam. Queria ser mais objetiva, sem perder a sensibilidade. Queria priorizar sempre o mais importante...

É a lista não termina. E a angústia aumenta.

Mas eis que eu me lembro de dois textos tão conhecidos e tudo muda: do questionamento do apóstolo Paulo “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” e do convite de Jesus “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma”.

A vida só é possível assim: “dar-se conta” de nossas fraquezas e vulnerabilidades e entregar o controle para quem de fato, dá conta do recado. Ousar fazer diferente é fracasso na certa, é “dar com os burros n’água”.

Depois disso penso: obrigada Deus. Fecho os olhos e só assim posso dormir.