12 de mar de 2011

Eu e a bronca dos velhinhos

Hoje definitivamente cheguei à conclusão de que eu atraio comentários de velhinhos que querem dar conselhos à juventude. Todos no melhor estilo “bronca carinhosa”. Será que tenho cara de representante da classe?

Cena 1

Essa é antiga, tem uns 5 anos.

Estava numa praia em Guarapari, minha irmã e minha prima no mar, até que resolvo entrar na água também para encontrá-las. Essa estava bem fria e eu espero, já com meia perna submersa, tomar coragem para mergulhar direto (já fui mais intrépida com água fria, mas os anos chegam e a frescura também, reconheço). Então fico um bom tempinho, dizendo para mim mesma que já já vou mergulhar.

Eis que neste momento de espera, um senhorzinho passa por mim saindo da água, olha com leve indignação e me diz: “Entra logo!”. Eu, surpresa e sem graça dou alguma justificativa: “já vou entrar, estou só acostumando com a água”. Achei que isso satisfaria o velhinho, mas não. Ele pára e diz: “Vamos lá, vou esperar você entrar”, com uma cara realmente de contrariado, como quem pensa “ah, esses jovens de meia tigela de hoje...não se faz mais juventude como antigamente”. Impaciente, ele vê que vou demorar e se vai ainda contrariado. Eu finalmente entro na água e encontro minhas irmã e prima, que se divertiam tentando imaginar que diálogo estava sendo travado. Surreal.

Cena 2

1 ano atrás.

Era meio-dia e tinha acabado de fazer uma caminhada no calçadão. Geralmente uso boné, mas neste dia tinha esquecido e estava sem camiseta, só com um top de ginástica, aproveitando para pegar uma cor (mas usando protetor solar, que fique registrado). Estava me alongando perto de um sinal de pedestres e um grupo atravessava a faixa nesse momento.

Eis que uma senhorinha vem exatamente na minha direção, passa por mim e fala: “Desse jeito vai acabar com sua pele”. E no mesmo passo, segue seu caminho. Surreal 2.

Cena 3

Hoje.

Estava mais uma vez, fazendo caminhada, no calçadão de Icaraí quando começou a chover. Daquela chuva que não encharca mas que vem molhando devagar, chatinha. Parei debaixo de uma boa amendoeira para me abrigar e pensar se seguia adiante ou esperava. Andando em direção contrária à minha, passam 3 senhorinhas com roupas de ginástica, dispostas e falantes como elas só (e como eu quero ser). No exato momento em que passam ao meu lado, a senhora que estava mais próxima a mim, olha toda simpática e sorridente e me diz com um tom “puxão de orelha carinhoso”: “Bora, bora!” e continua andando.

Eu ri, e com os brios “jovens” mexidos resolvi caminhar na chuva mesmo. Como não? Depois de uma senhorinha simpaticamente me esculachar?

A chuva apertou, virei refrão de música de Vanessa da Mata, e pensei: quando receberei minha próxima bronca?